Infinite Maze — blog por Emmy Dala Senta e Gabi Xavier

5 Aprendizagens valiosas para quem desenha

Bem-vindos ao post de estréia da categoria Utilidade pública (dicas)! Nessa categoria, vou compartilhar com vocês algumas das minha experiências desses meus 26 anos de desenho (supondo que eu tenha nascido desenhando), que realmente mudaram para melhor o meu modo de criar e ver minha própria arte, e acho que pode ajudar outras pessoas que desenham também. Vamos começar?

1. Desenhe antes, pesquise depois

Quer desenhar um dragão sobrevoando Paris? Desenhe! Nunca viu um dragão, ou esteve em Paris? Calma, é nessa hora que muita coisa pode dar errado. Com medo de desenhar algo que não corresponda à realidade (talvez não seja o caso do dragão, mas… enfim), o primeiro impulso é sempre buscar imagens de referência, e esse é o melhor caminho para bloquear as melhores idéias que você poderia ter.

Quando vemos imagens de coisas que queremos desenhar antes de desenhá-las, elas acabam nos influenciando, limitando nossa criatividade e, muitas vezes, nos frustrando.

Por isso, desenhe antes: esboce suas idéias, imagine seus próprios dragões, adicione a eles detalhes que você sabe que devem existir (asas, dentes, fogo, ou o que você quiser); faça Paris em chamas, com a torre Eiffel lá no fundo, ou em primeiro plano, ou todas as alternativas. Esboce muitas idéias, até chegar a uma cena incrível, que vai estar toda rabiscada, com prédios fora de lugar e dragões anatomicamente impossíveis. É nessa parte, e apenas aí, que entram as referências.

Você vai pegar tudo o que desenhou e vai “passar a limpo” ou ajustar, conforme for melhor pra você, pesquisando as referências de arquitetura e anatomia do que utilizou em sua ilustração. Isso vale para qualquer tema.

Etapas da criação da coruja Blank Infinity: o primeiro esboço de todos, uma idéia um pouco mais concreta e a finalização. Ela foi inspirada em uma coruja dos urais!

Assim, a referência funciona apenas como referência, e o desenho não será uma cópia fiel da fotografia, motivo pelo qual isso pode ser frustrante: ao não conseguir reproduzir a imagem fielmente, você pode, equivocadamente, concluir que a fotografia (ou o desenho de outro artista) é muito melhor que seu desenho e acabar desistindo. E nós não queremos que isso aconteça.

2. Analogia de pontos

Essa é uma dica que aprendi no curso que fiz ano passado, com o professor Micael Biasin aqui em Bento :) Como sou uma boa pessoa, vou compartilhar essa técnica valiosa com vocês (^-^)!

{Essa é especialmente útil para quando você quer que a composição seja fiel à imagem de referência.}

Já teve todas as idéias pra ilustração, já viu que vai usar uma imagem de referência e até já encontrou a imagem. Desenhar o que está na imagem pode acabar sendo o novo desafio. Então… Como utilizar essa referência de modo que ela facilite a sua vida?

Já aconteceu muito comigo, de chegar nessa etapa e, simplesmente, não conseguir reproduzir a imagem no meu trabalho. Isso é muito frustrante. Isso foi completamente resolvido com o curso de esboço que fiz no ano passado, no qual o professor ensinou diversas técnicas. Mas como o assunto todo dura mais ou menos uns 6 meses, vou deixar aqui a mais fácil e que mais gostei: analogia de pontos.

Basicamente, você vai traçar linhas horizontais e verticais entre pontos específicos da imagem (pode usar um papel vegetal por cima), se estiver visualizando ela impressa (eu prefiro); se estiver visualizando no computador, use algum programa gráfico, como nesse exemplo para desenhar o pôster da Bella Lestrange (clique na imagem para visualizar melhor):

Pontos principais marcados no pôster da Bella Lestrange.

Pontos principais marcados no pôster da Bella Lestrange.

Nessa imagem, estão marcados alguns pontos específicos que devem estar alinhados na horizontal e outros na vertical. Você vai perceber que encaixando eles dessa forma no desenho, será bem mais fácil chegar no resultado. Conforme o desenho vai evoluindo, você pode achar necessário fazer a analogia entre outros pontos também, pois quanto mais você olha para a imagem, mais você percebe elementos e detalhes. Com a prática, isso vai se tornando tão automático, que não será nem mais necessário fazer os traços sobre a imagem, porque o olho já vai fazer a analogia automaticamente.

3. Visualize o desenho sob uma nova perspectiva

Então o seu sketch está praticamente finalizado, com a ilustração completa, toda proporcional e pronta pra receber aquela iluminação e cor maravilhosas! Mas você ficou tanto tempo em cima daquele desenho que já não sabe se ele está maravilhoso, horrível ou apenas ok, porque seu olho já se acostumou com ele. Também não tem como pedir a opinião de um terceiro, porque é um sketch em mídia tradicional e a única pessoa que está por perto é sua mãe (pra ela sempre vai estar lindo, por isso, não conta).

Visualize seu desenho a partir de novos ângulos: de longe, de cabeça para baixo, ao contrário (contra a luz, se a gramatura do papel não for tão alta, vai aparecer), ou pelo espelho. Essa última é a minha favorita. Vá até um espelho e mostre para si mesmo seu desenho, ele vai surgir aos olhos como uma coisa completamente nova. Será como um “outro você” mostrando uma arte que ele/ela fez! Geralmente, se a primeira impressão que você tem do desenho é boa, é porque acertou na composição ;)

Olhe fixamente para o desenho original (colorida, esquerda), por muitos segundos ou o máximo de tempo que conseguir. Em seguida, mude rapidamente o olhar para a versão da direita, já será possível ter uma sensação diferente. Se estiver trabalhando digitalmente, testar em preto e branco também ajuda.

4. O que é peludo, redondo, marrom e coloco embaixo da cama?

Isso é outra coisa que aprendi no curso de desenho (mas não com meu professor, e sim com uma colega). Sei que você pensou em pantufas, gato, coelho ou sei lá. Mas a resposta é mais interessante: coco. Sim, um coco é redondo, marrom e peludo, e ele é meu e eu coloco onde eu quero. As palavras chaves aí, são, então: “meu” e “eu quero”.

Críticas construtivas são sempre importantes para que possamos melhorar, então realmente é necessário muito estudo e prática para chegarmos no resultado. Ainda assim, sempre tem aqueles comentários estranhos, como “por que fez o sangue azul?”, “por que essa coruja não tem asas?”, “os olhos das pessoas não são desse tamanho!”, etc. Às vezes, eu mesma comento minha arte, internamente. Aí digo para mim mesma: a arte é minha, eu faço como eu quero.

4-coelho

Meu coelho de Páscoa: ele não se parece em praticamente nada com um coelho de verdade, mas, como o coelho é meu, fiz como eu quis. Ele não ficou super fofo?

Mas atenção! Não abusem desse recurso, isso é só um truque para aceitarmos algumas coisas e uma grande ajuda para quem é muito perfeccionista não entrar em pânico no final do trabalho (culpada!).

Atenção (2)! Não façam isso com trabalhos sob encomenda, nunca!

5. Nem todas as obras são primas

Agora sim, voltando a falar sério. Uma lição muito importante que aprendi com um artista plástico mais que experiente, meu tio Aido (♥). Ele me falou isso há um certo tempo e demorei pra me conformar, mas é verdade. Temos que aceitar que nem todos os nossos trabalhos serão perfeitos, principalmente os primeiros.

Estes são dois desenhos do Vincent Van Gogh, Carpinteiro e Mulher de Luto, respectivamente. [fonte: Desenhando com o Lado Direito do Cérebro, Betty Edwars]

Nessa imagem, temos dois desenhos de Vincent Van Gogh. Durante seus primeiros anos como desenhista, Van Gogh apenas desenhava, procurando aprender a desenhar. Como podemos notar em Carpinteiro, até mesmo ele lutou com problemas como proporção e posicionamento de formas. Já algum tempo depois, Van Gogh superou suas dificuldades, aperfeiçoando a qualidade expressiva do seu trabalho, como podemos ver em Mulher de Luto.

Uma vez, eu tinha muito receio de finalizar e mostrar algumas coisas (quase todas) que havia feito porque achava que não estavam como deveriam. Sempre tinha algum detalhe me incomodando e acabava abandonando, escondendo ou jogando fora muitos desenhos (já falei um pouco disso no post sobre trabalhos inacabados). Hoje, eu vejo que isso, na verdade, não é muito recomendado que se faça, e por um bom motivo.

Os trabalhos “ruins” servem para que a gente aprenda com eles, para treinar o traço, olhar pra eles depois de um tempo e ver que não eram tão ruins assim (ou eram, mas aí compare com um trabalho atual e veja o quanto melhorou), e pra gente mostrar pras outras pessoas e entender que o que é “ruim” pra gente, pode ser maravilhoso pra elas, sendo que elas podem acabar admirando e comprando o trabalho mesmo assim.

Nem mesmo os grandes mestres da pintura começaram pintando a Monalisa ou o Nascimento de Vênus, certo? Por que algum dos nossos primeiros 100 desenhos deveria, obrigatoriamente, ser nossa obra-prima? Mas não é por não serem “obras-primas” que também não são bons. Nem todas as obras são primas (u.u).


Gostou do assunto desse post? Quer ver mais dicas desse tipo por aqui? Se sim, deixe um comentário abaixo :) Ou mande um e-mail, siga-me no Facebook, Instagram, na rua, etc.

Um agradecimento especial pro meu professor Micael Biasin que me ajudou com o conteúdo desse post ^-^ Pra quem é de Bento Gonçalves e região, e também quer aprender a desenhar lindamente e sem sofrer, segue o contato dele:

Micael Biasin, professor de desenho
Telefone: (54) 9107 6562 | E-mail: micabiasin@hotmail.com

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  • Diogones

    Curti muito muitao

    • Aaaah pena que todas essas tu já sabia ._. huahauha ou não?

  • Vickawaii

    Oi Emmy! Primeira vez aqui no blog e logo no primeiro post que leio já encontro uma paixão: desenho <3 Eu gosto muuuuito de desenhar e acho que desenhava muito bem nos meus 14 anos (olha aí a metida), porém com o tempo fui abandonando o hábito e agora é muito mais difícil fazer um desenho bonito, aliás, estou enfrentando algo que nunca havia acontecido antes que é o fato de ter vários desenhos "bons" não finalizados :/ Acho bacana ler dicas sobre desenhos, porque isso ajuda e incentiva a desenhar!

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    • Oii, Vickawaii ^-^ Que bom que gostou <3 Olha só, isso é bem comum de acontecer. Quando você fica muito tempo sem desenhar, a mão parece que "enferruja" e fica mais difícil. Mas à medida que você passa a desenhar seguido, você logo volta a desenhar bem, pois você não "desaprende", apenas fica com um pouco de dificuldade pela falta de prática.

      Sempre que puder, vou postar dicas aqui. Não desista de desenhar, pois isso é uma das coisas mais legais da vida! Tente terminar alguns desses desenhos, sem medo de errar, e depois posta no teu blog pra gente ver *-* E se quiser alguma outra dica, é só pedir, que vou tentar ajudar! Quanto mais gente desenhando no mundo, melhor *-*

      Muitos beijos!!

  • Talita Amorim

    Amo desenhar, mas eles não são muito realistas… Suas dicas ajudaram bastante e o lembrete sobre a prática levar a perfeição foi inspirador!

    • Oi, Talita! Fico bem feliz por ter ajudado <3 Vou postar dicas desse tipo sempre que puder, pois sei que para o desenho ficar exatamente como a gente quer, não é fácil, mas quando o resultado chega, vale a pena <3 Beijos!

  • Junior

    Aqui encontrei a resposta para a minha dúvida: Ficar sem desenhar enferruja mesmo, mas realmente a gente não desaprende, só ficamos fora de forma. Por conta disso, vou achar tempo para desenhar todos os dias, nem que sejam por apenas meia hora. Emmy, muito obrigado pelas dicas, você me inspirou demais a voltar a desenhar, não vou mais deixar que minhas outras preocupações, estudos para concursos, etc, sacrifiquem a minha prática ao desenho. Vou acompanhar o seu trabalho de perto. Tenha um bom dia.

    • Olá, Junior ^_^ Que bom que ajudei! Fazendo isso, nem que sejam poucos traços, já vai ajudar sua mão a “não esquecer” como se desenha. Abraço e boa semana :)

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