Infinite Maze — written by Emmy Dala Senta & Gabi Xavier

Canson — Moulin du Roy 300g acetinado

Introdução às resenhas de papel para aquarela

Nessa série de resenhas de papéis para aquarela, vou descrever minhas impressões ao testar algumas amostras que recebi no ano passado (2016) da Companhia do Papel. Essa minha busca pelo “papel ideal” começou quando aprimorei minhas habilidades em lápis de cor e comecei a dominar a aquarela.

Naquela época, pareceu, para mim, incrível se eu pudesse fazer o realismo detalhado em lápis de cor e adicionar os efeitos especiais que aprendi a fazer com a aguada em um mesmo desenho. Minha dificuldade começou quando percebi que o Canson Montval que eu utilizava até então não seria o ideal para fazer essas duas coisas. Primeiramente, o fato de ele entornar muito com as aguadas planas de folha inteira começou a me incomodar, já que fica extremamente difícil pintar com lápis de cor em uma superfície ondulada. Depois, ele não existe na forma acetinada, apenas com as texturas fina e grossa. E a textura nunca foi minha parte favorita nos papéis que pintei em lápis de cor.

Minha primeira tentativa de técnica mista (aquarela + lápis de cor), então no Canson Montval Gran Fin

Foi então que percebi que estava na hora de investir em papéis mais adequados às minhas necessidades, ou nunca chegaria ao resultado que eu esperava.

Até mesmo quem está recém iniciando na aquarela sabe que essa técnica é muito cara. Em minha pesquisa, cheguei a encontrar blocos que variavam de R$90 a  R$800 (claro, considerando inúmeros tamanhos e quantidade de folhas, além das marcas) e a idéia mais inteligente que me deram (thanks Gabi!!) foi pedir algumas amostras para lojas especializadas em material artístico. Na sequência, eu poderia resenhar todos os meus testes e compartilhar aqui com os leitores do blog.

Entrei em contato com três lojas que eu conhecia. A Koralle até hoje nunca respondeu meu email; a Casa do Artista teve, pelo menos, a consideração de me enviar um pequeno pedaço de Fabriano; mas quem resolveu mesmo a minha vida foi a Companhia do Papel. Eles enviaram TODAS as amostras de papeis disponíveis e eu, na minha lerdeza, provavelmente não testarei todas até 2018 (recebi coisas para acrílica e outros materiais que não domino ainda, por isso a minha certeza de demora eterna). Então, evidentemente, minhas prioridades foram os papéis de aquarela lisos. Nessa primeira resenha, vou falar um pouco sobre os papéis em geral e suas definições básicas, e, em seguida, o primeiro teste :D

O básico sobre papéis de aquarela em geral

A coisa mais importante para considerar nos papéis para aquarela é como e quanto ele vai aceitar a água que vamos usar nele. Quanto mais resistente ele for, melhor, e é por isso que eles se tornam tão caros. Você não consegue fazer uma aquarela decente, com as camadas apropriadas, em uma cartolina, por exemplo. O papel precisa ter pelo menos 300g/m² para que se possa trabalhar confortavelmente, e quanto mais algodão ele tiver na composição, melhor ele vai resistir às aguadas, sendo os 100% algodão mais caros, porém mais resistentes.

A outra coisa que pode variar totalmente no trabalho e no resultado final é a textura do papel. São, basicamente, 3 os tipos que existem, embora quando visualizadas bem de perto, cada fabricante e cada linha têm as suas particularidades. A divisão principal dessas texturas pode ficar entre:

Muita textura: É o papel de grão grosso, também encontrado como: textura rugosa, torchon, áspero.

Textura moderada: Grão fino, é o papel prensado à frio (então também refere-se a ele por esse termo:), cold pressed ou textura fina, e variações do termo.

Liso: Grão acetinado, é o papel prensado a quente. Então hot pressed também refere-se a esta textura de papel. Ele nunca será tão liso quanto um couché, por exemplo; a textura sempre vai existir. No entanto, ela é quase imperceptível no resultado final.

Comparação de 3 diferentes texturas. Acentuei um pouco o contraste para evidenciá-las melhor (clique para ver na resolução completa).

A textura do papel influencia diretamente no trabalho com a água e, evidentemente no resultado final. Os papéis com mais textura são infinitamente mais fáceis de se trabalhar do que os lisos. Isso por que no papel liso, cada mancha seca fica completamente evidente. Então, se você não for um aquarelista muito habilidoso, pode sofrer nas aguadas planas de áreas maiores (sei disso por experiência própria, como verão nas resenhas que estão por vir).

Além disso, tem a questão do gosto pessoal. Algumas pessoas acham lindo o resultado com textura, gostam de trabalhar com, e preferem que a textura apareça no trabalho final. Outros, sentem que a textura não acrescenta no resultado e ainda atrapalha em algumas partes. Esta última sou eu.

O primeiro teste: Canson Moulin du Roy 300g Acetinado

Comecei o teste por um papel que já queria usar havia um tempo, por ser liso e de um preço acessível. Ele existe nas 3 texturas e em gramaturas até 640g.

Sketch em Moulin du Roy acetinado, utilizando uma fotogragia da Gwen Ohana como referência.

Esbocei o desenho normalmente, sem grandes dificuldades (pode parecer óbvio, mas, na próxima resenha vou provar que isso não é óbvio). Trabalhei na aguada com ele preso com fita na prancheta, como sempre fiz com os papéis mais simples.

Fiz o que eu faria normalmente; usei uma máscara, molhei o fundo praticamente todo, utilizei umas 2 ou 3 camadas em algumas partes. Entortou aceitavelmente prendendo com fita (ainda quero fazer um A3 pra ver se ele resiste bem assim). Não rasgou com a máscara Winsor & Newton (que o Montval rasgava sempre) e nem quando retirei a fita (Montval rasgava sempre nessa parte também).

A segunda etapa era a que eu mais queria fazer: os detalhes. E posso dizer que me esforcei bastante pra fazer coisas pequenas, que são extremamente difíceis de se realizar com papéis muito texturizados. Algumas partes deixei mais soltas pra agilizar o resultado; mas o foco aqui era o rosto mesmo. Acho que na imagem abaixo dá pra ver bem os cílios e detalhes que consegui fazer com tinta preta.

Conclusão

Como últimas considerações sobre o papel Canson Moulin du Roy 300g acetinado, gostaria de apontar que gostei muito. Consegui esboçar tranquilamente e o papel não esfarelou em nem uma camada sequer. As partes em que apaguei não tiveram diferença na absorção da água. Pintei com lápis de cor normalmente, utilizando diferentes pressões, sem prejudicar em nada a superfície do papel. A textura no azul do fundo foi feita com uma esponja marinha — o papel é completamente liso mesmo, se não fosse isso eu teria sofrido pra deixar o cabelo assim.

Textura (mais lisa, mais estrelas):

Facilidade pra esboçar:

Resultado da aguada:

Resultado do lápis de cor:

Preço:

Compraria:
SIM


Fontes para este artigo: Canson

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