Infinite Maze — blog

Nameless Grave

Adivinhem só? Me FORMEEIII! *-* E em comemoração a esse dia importante da minha vida, um post relembrando o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Pra quem não sabe, estou me formando (não, agora sou formada) em Design Gráfico pela UCS e o tema  do meu projeto foi: Comunicação Gráfica para Banda de Rock da Cidade de Bento Gonçalves – RS, que apresentei no final de novembro de 2013. Foi um dia muito importante pra mim. Apesar de estar mais nervosa do que já tinha me visto na vida, deu tudo certo, recebi tantos elogios que até eu mesma me orgulhei de mim (!).  Vou compartilhar, então, um pedacinho da minha apresentação, que acredito que seja a parte mais legal: o significado da capa do álbum!

A banda é a Counterfaith, aqui de Bento mesmo. Eles são muito talentosos e foi uma grande honra desenvolver o material para eles, além do fato de que amo demais trabalhar com bandas de rock. O trabalho incluía a criação de um nome (sim, Counterfaith foi sugestão minha!), identidade visual, embalagem do CD e material promocional. O resultado de tudo isso vocês podem ver na página Rock Bands do meu portfólio. Mas agora estou aqui para falar da capa, então vamos lá!

O nome escolhido para o álbum foi Nameless Grave, então a primeira coisa que fiz foi pensar em representações de sepulturas sem nome. De início esbocei três ideias. A de pessoas mortas e não identificadas em uma região desértica (1), uma cena de suicídio (2) e, um pouco mais óbvio, um cemitério com uma lápide sem nome e alguém levando flores (3). Fiz os esboços diretamente no Photoshop, e desde o início havia decidido que eu faria uma pintura digital.

Nameless-Grave-alternativas

De acordo com o clima das músicas e mensagem, a que, de fato, se encaixou no conceito foi a primeira, além de ser a composição com mais elementos para se trabalhar. Cada parte da imagem tem um significado relacionado às canções e é sobre isso que vou falar aqui.

Eu estava tão ansiosa pra finalizar que esqueci completamente de tirar prints do processo de pintura (sorry!). Então tenho apenas duas outras versões além do esboço, a mais ou menos finalizada (editado: não quero mais mostrá-la, isso não é necessário!) e a versão final:

Nameless-Grave

Agora, vamos ao que interessa!

As músicas debatem sobre questões existenciais e são o depoimento do compositor sobre suas reflexões, que envolvem vida, morte, e dúvida. Nessas questões, estão implícitos conceitos de céu e inferno, independente da crença em sua existência ou não; por isso, de forma geral, a imagem da capa representa três aspectos de diferentes personalidades: céu (idealista), representado pelas nuvens, pelas cores quentes e pela luz; terra (realista), representado pelas cruzes latinas; e inferno (pessimista), representado pela terra, crânios e cores frias. Nas canções, o compositor oscila entre esses três. Os corvos, proféticos, estão no nível da terra, porém, cada um olha para um lado – um para cima e outro para baixo – por isso, o destino do compositor é incerto, conforme interpretado através das canções.

Normalmente, o céu é associado ao azul, e o inferno, ao vermelho. Na imagem, porém, essas cores estão invertidas, o que pode ser interpretado como uma inversão de valores ou apenas como um novo ponto de vista: o calor é associado à vida (céu, coisas boas), e o frio, à morte (inferno, coisas ruins).

Mas por que cruzes, crânios e corvos?

Porque são visualmente interessantes, lindos e adoro desenhá-los. Não, espere. Tem mais alguns motivos, e para isso tive ajuda do Dicionário de Símbolos do Jean Chevalier (livro muito bom, recomendo a todo mundo que trabalha com imagem!):

Corvo: o corvo só se tornou negativo há pouco tempo e quase que exclusivamente na Europa, sendo considerado sinal de mal agouro, ligado ao temor e à desgraça. Porém, ele é símbolo de perspicácia de acordo com o Gênesis (8,7); e na mitologia grega, ele realiza funções proféticas.

Na imagem, eles são os personagens principais: um olha para o céu e outro para o inferno; céu e inferno são representados pelas nuvens e luz (céu) e terra e crânios (inferno). Entre eles encontram-se as cruzes, que representam a terra, o homem, a realidade (conforme visto a seguir). Como eles são criaturas proféticas, eles representam a dualidade das decisões do compositor. Enquanto na música ele diz “não mudarei minha decisão”, o fato de ele estar cantando sobre isso indica que ele ainda permanece na dúvida, sobre ir para a “luz” ou não, “lavar suas mãos” ou não.

Cruz: Ainda de acordo com Chevalier, a cruz é, de todos os símbolos, o mais totalizante, universal, e é a comunicação terra-céu. Além disso, na Idade Média, a cruz já foi descrita como uma árvore cujas raízes estão no inferno e a rama no trono de Deus, e que engloba o mundo entre seus galhos; no oriente, ela é ponte pela qual os homens chegam a Deus, sendo que em algumas culturas esta tem sete degraus. A cruz latina, com a parte vertical desigualmente dividida, é a cruz realista.

Na imagem, então, as cruzes representam a Terra, a realidade, a condição humana, pois ela é também símbolo do homem (sendo a semelhança de um homem de braços abertos). As sete cruzes representam os sete degraus para o céu.

Crânio: símbolo da morte física, representa a renovação do homem, quando o homem velho se extingue para transformar-se. Os 6 crânios representam cada um dos membros da banda.

Tudo isso já foi dito, muito resumidamente, no vídeo que apresentei no dia da minha banca! Confesso que deve ter sido a parte mais legal da apresentação, vocês podem vê-lo aqui.

Pra quem curte rock com letras introspectivas e muitas reflexões existenciais recomendo ouvir as músicas da Counterfaith. Ainda não estão prontas, e talvez até o lançamento do CD muita coisa mude, mas até agora gostei bastante! Se vocês curtiram a capa, vale a pena tentar ouvir (^^).

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