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Lápis de cor aquarelável (Faber-Castell x Derwent x Caran D’Ache x Koh-i-noor)

Este artigo é uma avaliação das principais características de quatro marcas de lápis de cor aquareláveis de uso profissional. Minha primeira intenção era fazer com as mesmas marcas que escolhi para testar quando escolhia meus lápis permanentes, porém, não consegui os aquareláveis da Prismacolor para testar. Na realidade, estes que apresento consegui com meu professor de desenho, que gentilmente cedeu seus lápis para meus testes: Albrecht Dürer da Faber-Castell, Inktense da Derwent, Supracolor da Caran D’Ache, Mondeluz da Koh-i-noor.

Albrecht Dürer da Faber-Castell, Inktense da Derwent, Supracolor da Caran D’Ache, Mondeluz da Koh-i-noor.

Cores de cada uma das linhas escolhidas para o teste.

O que são lápis de cor aquareláveis?

Os lápis de cor aquareláveis, ao contrário dos permanentes, são — evidentemente — solúveis em água. Eles não são “aquarelas em forma de lápis”, embora existam modelos com essa promessa (mas nenhum deles nesta lista). Ainda assim, alguns deles conseguem imitar muito bem a forma como as aquarelas trabalham, permitindo a criação de aguadas e até mesmo sua utilização como se fossem aquarelas em pastilhas.

Todas linhas testadas aqui são de uso profissional, e vêm com a promessa de que os traços sejam completamente diluídos do papel. As linhas que escolhi aqui são as de mina macia, já que temos muitas variáveis dentro de algumas dessas marcas.

No mesmo modelo do meu artigo sobre lápis de cor permanente, vou listar as principais características de cada um e a seguir, os testes e comparações.


Faber-Castell Albrecht Dürer

A linha profissional aquarelável da Faber-Castell já teve resenha específica aqui no blog, e possui as mesmas cores do seu equivalente permanente, Polychromos (também com resenha aqui). Não poderia deixá-los de fora desse comparativo, afinal, é uma marca tradicional e reconhecida, além de ser uma das poucas às quais temos fácil acesso em território nacional.

Albrecht Dürer, Faber-Castell

Especificações Albrecht Dürer:

  • Formato do corpo: hexagonal
  • Mina: 3.8 mm
  • Disponível em estojos com 12, 24, 36, 60 e 120 cores.
  • Reposição avulsa: sim
  • Escala de resistência à luz: sistema de estrelas — ★★★ máxima /★★ muito boa /★ apenas ok
  • Resistência à luz: grande maioria das cores está classificada entre 3 e 2 estrelas, algumas com uma.
  • Tabela oficial Albrecht Dürer

Recentemente, essa linha recebeu uma versão chamada Albrecht Dürer Magnus. São os mesmos Albrecht Dürer, porém, com minas de 5.3 mm e até a presente data, com 30 cores disponíveis.


Derwent Inktense

A marca britânica Derwent possui diversas linhas com a característica aquarelável. A que vou utilizar aqui é a linha profissional de mina macia, a Inktense.

Segundo o fabricante, são os melhores lápis de cor aquareláveis da marca, podem ser usados em técnica seca, mas misturando água as cores se tornam tintas vibrantes. São permanentes depois de secas e por isso podem ser usadas em tecidos naturais, como algodão e seda — fiquei realmente curiosa para testar isso.

Inktense, Derwent

Especificações Inktense:

  • Formato do corpo: circular
  • Mina: 4 mm
  • Disponível em estojos com 6, 12, 18, 24, 36, 48 e 72 cores.
  • Reposição avulsa: sim
  • Escala de resistência à luz: Blue Wool (entre 0 e 8) — 3,4: aceitável / 5,6: boa / 7,8: excelente
  • Resistência à luz: grande maioria das cores está classificada em 7 ou 8, poucas em 2 a 4.
  • Tabela oficial Inktense

Caran D’Ache Supracolor

A suíça Caran D’Ache é uma das marcas mais tradicionais em lápis de cor, possui diversas linhas, sendo quatro delas aquareláveis. Para manter a coerência desse artigo, vou me deter à linha equivalente a outras análises que fiz: aquarelável profissional de mina macia.

Segundo o fabricante, a linha Supracolor é ideal tanto para técnica seca quanto para aquarelar. Ideal para cobertura de grandes áreas e possui excelente resistência à luz. Também é interessante notar que os valores dessa linha podem chegar a 60% acima dos valores da Albrecht Dürer, por exemplo.

Supracolor, Caran D’Ache

Especificações Supracolor:

  • Formato do corpo: hexagonal
  • Mina: 3,8 mm, macia
  • Disponível em estojos com 12, 18, 30, 40, 80 e 120 cores.
  • Reposição avulsa: sim
  • Parâmetro de resistência à luz: sistema de estrelas — ★★★ máxima / ★★ muito boa /★ apenas ok
  • Tabela oficial: não encontrada*

Como tive acesso apenas a cores avulsas, e não encontrei a tabela oficial para download, portanto, não consegui conferir a classificação de resistência à luz.


Koh-i-Noor Mondeluz

A linha Mondeluz é a mais acessível (em termos de preço) dessa lista, mas também, assim como a Inktense da Derwent, com somente 72 cores disponíveis. Confeccionados com pigmentos de alta qualidade e altamente concentrados, contém argila branca em sua composição (que, segundo o fabricante, permite “traços únicos”, seja lá o que isso possa significar), desenvolvido para que os traços sejam completamente diluídos quando aquarelado.

Mondeluz, Koh-i-noor

Especificações Mondeluz:

  • Formato do corpo: hexagonal
  • Mina: 3.8 mm
  • Disponível em estojos com 12, 24, 36, 48 e 72
  • Reposição avulsa: não, porém: a venda avulsa existe, apenas não consegui encontrar os países em que estão disponíveis.
  • Parâmetro para resistência a luz: sistema de estrelas, 1 a 4 — ★★★★ máxima / ★★★ muito boa / ★★ boa / ★ aceitável
  • Resistência à luz: maioria das cores entre 3 e 4 estrelas, 4 cores com apenas 1.
  • Tabela oficial Mondeluz

Testes

Aqui, vou deixar os testes que eu fiz com cada um desses lápis, comparando-os. O papel que usei foi o Canson Montval com textura fina.

O primeiro deles é o traço seco. Traçando com máxima pressão até pressão leve, todos apresentaram um resultado muito parecido. São todos eles realmente macios, embora Inktense um pouco mais, sendo o que mais soltou “poeira” ao traçar com muita pressão (esses pedacinhos que estão em volta das pinturas são pedaços das minas). O que menos soltou partículas foi o Supracolor.

Comparação de traço seco.

Na aguada, procurei testar os seguintes pontos: a diluição do traço, a facilidade de trabalhar com a tinta que se forma, a intensidade da cor. Sem dúvidas, o Inktense é o mais pigmentado. Ao passar o pincel com água, a grande quantidade de tinta em que os traços se transforam é notável.

Comparação de aguadas sobre traços.

Na aguada em um área muito saturada, todos tiveram o resultado parecido depois de secos. Mas para ter certeza da completa solubilidade dos traços, fiz o seguinte teste: desenhei pequenas letras com pressão média~alta, e diluí com pincel e água. O resultado, depois de seco, fica conforme a imagem:

Traços com pressão média diluídos com pincel e água.

Para me certificar do resultado, repeti o teste. Dessa vez, tracei com a máxima pressão, mas fiquei insistindo com pincel em água, até forçar os traços a se diluírem completamente — ou o máximo possível. O resultado ficou conforme segue:

Traços com pressão alta diluídos o máximo possível com água.

 


Conclusão

As quatro marcas, como acontece com todos os materiais profissionais de desenho, têm seus prós e contras. Aqui, algumas coisas que acredito que devem ser levadas em consideração na sua escolha.

  • Aplicação de preferência: se você prefere técnica seca, aguada, ou ambas na mesma proporção. Se quiser traços mais definidos e ainda assim a possibilidade para aquarelar, Supracolor seria uma boa escolha. Se sua preferência é aquarela, cobertura de grandes áreas e cores intensas, Inktense fará um excelente trabalho. Se quiser utilizar seus lápis como se fossem aquarelas em algum momento — raspar as minas separadamente e usar para aguadas — é bom escolher os de melhor dissolução, como o Albrecht Dürer ou Inktense.
  • Objetivo ao utilizar o material: se você venderá originais é importantíssimo atentar para o grau de resistência à luz dos materiais utilizados. Por isso, gosto de verificar todas as tabelas de cores oficiais, pois aí podemos saber quais as cores mais seguras para utilizar em pinturas que devem durar muitos anos (e antes mesmo de investir no conjunto).
  • Utilização em técnica mista: se você já utiliza alguma linha profissional de alguma dessas marcas, e faz questão de ter as mesmas cores em diferentes materiais, dê preferência à marca que você já utiliza.
  • Preço e acessibilidade a novos itens da linha: importante lembrar que nessa comparação eu considerei preços, mas algumas coisas nessa lista podem custar o dobro de outras, então pesquise. Em alguns países, como Brasil, ainda é muito difícil conseguir reposição avulsa de Mondeluz e Supracolor, por exemplo. Lembre que algumas das suas cores vão acabar muito rápido, então poder repô-las com facilidade é algo a considerar.

Ainda tem dúvidas? Compre cores avulsas. Quando se sentir confortável com material e sentir confiança na sua escolha, pode investir na sua paleta sem medo! Nos links abaixo, recomendo sites para comprar no Brasil e nos Estados Unidos (que envia para o Brasil).

Onde comprar *links afiliados*


Fontes para este artigo: Faber-Castell, Derwent, Caran D’Ache, Koh-i-noor, Coloured Pencil Topics. Quem ajudou: Micael Biasin

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